Aqui nossa coleção de dicas para quem passar pelo Marrocos. Vamos da imigração no aeroporto em Marraquexe a volta à Espanha em Tanger Med, passando por Ouarzazate, Ait Ben Haddou, o Saara, 8h num Gran Taxi saindo de Merzouga a Fez e um dia em Chefchaouen. Vai anotando… a viagem vale a pena!

Dicas gerais

– Não tenha vergonha, negocie. É assim que funciona. Marroquinos do primeiro hostel chegaram a afirmar que oferecem 30% do primeiro preço para começar a negociação. É preciso paciência. Preços marcados no cardápio também estão em negociação

– Medina é a cidade antiga, total ou parcialmente murada. É assim que as cidades árabes do norte da África se organizam. Google maps não passou por onde interessa lá – ou seja, nas ruelas-, mas até em Fez nos localizamos sozinhos (na maior parte do tempo). O guia de viagens profissional só é importante se você quiser ouvir sobre o contexto do lugar por onde está passando, o que também pode ser interessante. Caso queira contratar alguém, procure por pessoas credenciadas, as denúncias de “falsos guias” são frequentes.

– O que parece mera cordialidade em geral vai significar a cobrança de alguns dirhams “pela informação”. Fique atento, seja firme ao rechaçar os “supostos” guias. Chegamos a ser pressionados a pagar por informações que nem pedimos no CyberPark de Marraquexe, mas batemos pé e saímos.

– Os ônibus turísticos recomendados são das empresas do rei, CTM (http://www.ctm.ma/) e Supratours (http://www.oncf.ma/). Também controlam os trens. As linhas de trem estão concentradas do norte até Marraquexe.

– Ao viajar de ônibus, em qualquer empresa, vão cobrar para levar as malas algum valor além do que se pagou pela passagem. Esta informação não está em nenhum lugar, mas é como funciona. No caso da CTM há controle das bagagens, nas outras empresas não (gira em torno de 5 dirham por mala).

– Os taxis são divididos em Gran Taxi e Petit Taxi. Os primeiros fazem viagens intermunicipais e os outros dentro das cidades, ambos no formato coletivo. Os Petits, param pra te pegar mesmo que tenha gente. Nos Gran, vão “socar” até seis passageiros, mais o motorista, em um carro normal (fabricado para cinco no total), por um preço a negociar. Pagamos 1250 dirhams Merzouga-Fes, 8h de viagem, compartilhando entre cinco passageiros (e como sempre, a impressão é de que pagamos muito). As estradas não tem acostamento, mas são bem pavimentadas e sinalizadas (ao menos se comparadas aos padrões brasileiros). Vale viajar durante o dia porque as paisagens são uma boa surpresa a cada hora!

– Em um hamman público, não esqueça chinelo, toalha, xampu e, se tiver oportunidade de comprar uma luva para esfoliação no mercado, melhor – foi o item que não gostei de não saber que devia levar. As marroquinas também levam seu próprio sabão preto. Em Marraquexe, tentei ir ao Hammam dar el Bacha, na Rue Fatima Zoha, 20 (próximo a Jmaa el Fna, mas não confie neste número, está duas quadras depois e não tem número) e em Fez, na rua Arset Lamdelssi, Bab Jdid (não há placas, mas a porta é num azulejo preto e branco. Você pode pedir ajuda no Funky Fes, hostel que está na mesma rua. Custa 70 dirham). Não sabe o que é um Hammam? Leia aqui.

– Tenha em mente que no Marrocos não é possível para não-muçulmanos entrar em Mesquitas, sob nenhuma hipótese.

– É possível pagar tudo com euros, mas o câmbio é desvantajoso – no nosso caso, 11 dirham/euro na casa de câmbio viravam 10 dirham/euro para compras diretas. Se vier de avião, deixe para fazer o câmbio do dinheiro necessário para o primeiro momento no aeroporto, as taxas eram melhores que as de Madrid.

 

Marraquexe

– Não tivemos problemas na imigração, mas vale informar que é bem demorada. Se você for jornalista, fique tranquilo e paciente porque vão fazer muitas perguntas (aliás, para entrar e para sair do país).

– Em Marraquexe, hospedar-se perto da Praça Jmaa el Fna é uma opção prática. A praça é o centro da vida na Medina. De dia, muito suco de laranja (meros 0,40 EUR) e frutas secas. À noite, cuidado com ladrões de carteira enquanto come ou observa danças, jogos e cantorias.

– Ficamos vários dias no hostel Riad Dia, que tem funcionários muito simpáticos e um ambiente agradável com linda terraça, jardim e fonte. Mas não espere lençóis trocados e, apesar de não termos tido problemas, são poucos os banheiros e não há armários para trancar seus bens. Diárias a 60 dirham, quarto para dez.

– Tajine é a comida básica. Leia-se: legumes cozidos em uma panela especial de barro, quase sempre com alguma carne (em Marraquexe frango é o mais comum). O primeiro Tajine (com couscouz, um clássico), foi o melhor em Marraquexe: restaurante Snack N´Zaha na praça Jmaa El Fna. Mas você vai provar muitos outros!

– O Palais Badi não tem muito o que ver, custa 20 dirhams de entrada, mais seu precioso tempo. Trata-se de um palácio construído no século XVI em comemoração a uma vitória contra os portugueses. O palácio em si estava fechado, apenas andamos ao redor e vimos o jardim com laranjeiras e algumas ruínas mal conservadas e mal documentadas. Havia uma exposição fotográfica em curso, mas ninguém avisou que estaria fechada naquele dia (esta informação também não estava no cartaz da exposição na porta do palácio.

– Já o Palais Bahia, mesmo preço que o Badi, é mais interessante, com boa mostra da arquitetura local. É possível entrar na antiga residência e vera incrível decoração de mosaicos, gesso e estuco, diferente em cada sala.

 

Saara

Couchsurfing: como sempre, procuramos hospedagem solidária em diversos destinos no Marrocos. Acreditamos que esta também é uma maneira melhor de conhecer uma cultura tão diferente da nossa. Percebemos que no Marrocos há muitos guias de viagem com perfis nesta rede social. Eles têm grande número de referências positivas, parece que de fato as pessoas dormem em suas casas. Mas conosco aconteceu o seguinte: um cara se ofereceu para nos receber e depois ficou dias mandando informações pelo Whatsapp. Nunca dissemos que iríamos mesmo para Merzouga contratar lá o tour como ele sugeria sendo mais barato. No final, comunicamos que estávamos em um tour contratado, mas que gostaríamos de conhece-lo e convidar para um chá, agradecendo a boa vontade. Ele pareceu totalmente chateado porque não fizemos o que ele queria! Nossa desconfiança (ou seja, trata-se de uma hipótese!) é de que os caras querem te convencer a chegar numa vilazinha do deserto acreditando que o tour de lá vai ser mais barato e, depois, cobrar o mesmo ou mais – e você ainda vai acabar meio refém de contratar o cara que te recebe em casa.

– Fazendo as contas, concluímos que um tour por €80 ao deserto em Erg Cherbbi, aquele clássico com passeio de camelo e dormir nas tendas, como pagamos, pode valer a pena. A passagem entre Marrakesh e Ouarzazate custa 80 dirhams (tem poucos por dia, 8:30 e 15h, demora umas 4:30) e  de Ouarzazate a Merzouga outros 180 dirhams (sai um único por dia às 13h e chega às 21h). Essas passagens somadas aos deslocamentos de Ouarzazate a Ait Ben Haddou, pernoite (devido ao horário do ônibus) e depois contratação do tour direto em Merzouga aproximaram muito o valor do tour contratado direto em Marrakesh. Desse modo é possível parar e ver o caminho, diferente da longa viagem de ônibus à Merzouga que só pode ser feita durante o dia e dura 8h. Mas no nosso caso, guia só servia de motorista, não informava nada. O preço incluiu cafés da manhã, jantares, pernoite num hotel simples e confortável e paradas em Aït Ben Haddou, Vale do Tinghir (onde havia um bom guia), Gorges du Dades e Todra Gorge. Foi Leilah, simpática funcionária do hostel Riad Dia de Marraquexe, quem organizou (depois de negociarmos o preço e baixarmos 10 euros do valor inicial…).

– Há muitos tours semelhantes sendo comercializados em Marraquexe. Mas se não destruísse nosso orçamento, seríamos convencidos pelo Nomad Experience que oferece outra coisa… é exclusivo, motorista particular nos deixaria já em Fez, mas custava € 400. Se alguém ler aqui e tentar, conta pra gente como foi!

 

Fez

Rota sugerida em Fez
Rota sugerida em Fez

– Tem a Medina mais difícil de andar entre as que conhecemos, mas é a mais interessante. Nela é possível ver muitas atividades além do comércio. As mercadorias estão organizadas em setores. Não confie totalmente nas placas de sinalização: elas desaparecem logo antes da próxima bifurcação! Preste atenção nos detalhes das mercadorias à venda, parecem iguais, mas não são. E assim você vai saber voltar… Devido ao material dos telhados e o aperto entre as tendas, o GPS não funcionou bem e abrir um mapa de papel é pedir para ser atacado pelos vendedores de informação. Desse modo, o passeio precisa ser feito no modo antigo.

– Perto da entrada da maior mesquita em Fez tem uma terraça interessante. Apenas nela fomos capazes de entender o tamanho mesquita! A porta de entrada fica por trás de algumas tendas e não fui capaz de marcá-la no mapa! No entanto o ponto de partida pode ser o portão principal leste da mesquita. Há um cartaz na parede falando da vista pela terraça, mas é melhor perguntar para um dos vendedores por ali. Provavelmente cobrarão 1 euro para te levar, mas vale a pena. Uma mostra está neste vídeo aqui.

Vista aérea de Fez
Vista aérea de Fez

 

– Para chegar à terraça de onde se vê o cortume também precisamos de ajuda. A sorte é que o rapaz do restaurante nos levou lá – para depois nos levar onde suas parentes vendem óleo de argan. Aliás, melhor restaurante que comemos no Marrocos! Está na direção onde os mapas indicam os cortumes, Desejamos boa sorte para encontra-lo : Dar Zineb – 4, Derb Saadoni Blida.

– Em Fez é comum falarem que algo é uma cooperativa:.”Cooperativa das mulheres produtoras de óleo de Argan”. Mas logo dá pra ver que trata-se de um negócio de família e a história da cooperativa é mais marketing.

– O hostel não era mais que razoável. Café da manhã medido. Mas com bela terraça, pequeno armário ao menos para coisas de valor e lençóis limpos: Funky Fes, 120 dirham, quarto para dez. Caro para padrões marroquinos, fomos levados até lá pois no taxi que compartilhamos duas canadenses já tinham reserva, há opções mais baratas.

– Banho Marroquino, Hamman: O que experimentei está na rua Arset Lamdelssi, Bab Jdid, cobraram 70 dirham (chorados), e isso porque eu estava no hostel logo adiante (e é o preço que anunciam lá).

Chefchaouen

Mapa turístico em Chef
Mapa turístico em Chef

– Cruzando o rio no sudeste da cidade há um lugar onde as mulheres lavam roupa (uma caminhada de 10 minutos pela medina). É possível subir um morro até uma antiga mesquita abandonada (mais 20 minutos de caminhada). Tem um lindo visual, permite contemplar todo o conjunto de casas azuis.

– Tivemos pouco tempo, mas dava para ver que é possível subir por trás da muralha por uma escadaria na parte leste. Há muitas possibilidades de caminhadas nas montanhas.

– Vão te oferecer haxixe a cada 15 minutos. Se estiver interessado em comprar, saiba que drogas estão proibidas (apesar de usadas até por marroquinos em Chef) e que nos disseram que não é raro que alguém te venda e depois de denuncie para polícia, ganhando duas vezes.

– Ficamos no Hostel Aline, cama limpa, mas nesta data com problemas nos chuveiros. O atendente falava árabe e francês (e só). A opção era supostamente barata – mas depois soubemos que havia outros melhores. 80 dirham, com seis camas e sem café da manhã.
Tanger/Algeciras (de volta à Espanha)

Tager – Espanha

– São quatro portos com saídas partindo do Marrocos para Espanha: Tanger, Tanger Med, Melilla e Ceuta (estas duas últimas cidades espanholas na África). Escolhemos Tanger Med por ser a mais barata à Algeciras, de onde há mais transporte direto a lugares como Marbella (nosso destino) e Málaga. Em geral as partidas de Tarifa na Espanha são para o lado oeste da Espanha.

– A decisão sobre o porto ideal depende dos caminhos que você vai seguir. A seguir ligações de cada porto que levantamos informação e preços em junho/2014. Para consultar outras opções você pode acessar o DirectFerries para verificar os horários de todas empresas ou buscá-las individualmente (para comprar sempre mais barato, pular o intermediário). São quatro responsáveis pela travessia: FRS, InterShipping (a que usamos), Balearia e Trasmediterranea.

Lista de horários em maio de 2014:

Tangier MED para Algeciras – 22 EUR

Horários: 02:00 /04:30/ 08:00 / 10:30 / 11:00 / 13:30 / 14:00 / 16:30 / 17:00 / 19:30 / 20:00 / 22:30 / 23:00 / 01:30

Tangier para Tarifa – 35 EUR
Horários: 08:30 /10:30 / 10:30 / 12:30 / 14:30 / 16:30 / 18:30 / 20:30 / 21:30 / 23:30

Ceuta to Algeciras – 37 eur
Horários – 09:00 / 10:00 / 12:00 / 13:00 / 15:00 / 16:00 / 18:00 / 19:00 / 21:00 / 22:00

– Tanger é a cidade, Tanger Med é um grande porto de mercadorias a 50 km de distância. Dizem que na praça atrás da rodoviária há um ônibus que leva gratuitamente à Tanger Med, mas não conseguimos checar a informação.

– A rodoviária é totalmente caótica. Há também a opção de taxis, mas os preços são tão caros quanto €30 a corrida. Compramos passagens no guichê 10, custou 20 dirhams. Tivemos que brigar com quatro homens que insistiam que colocássemos as mochilas no bagageiro – não há nenhum controle sobre as bagagens, não parecia seguro, ao final não colocamos.

– Avise no ônibus que você vai ficar em Tanger Med. Ele não entra no porto e é fácil perder o lugar de descer.

– Cruzamos com a Intershipping, por 220 dirham. O preço varia pouco entre empresas. Trata-se, no caso deste porto, de um barco de transporte de carros e carga, mas com deque de passageiros. São várias empresas (saindo nos mesmos horários). Nosso barco atrasou uma hora e dizem que isso é bastante comum. Havia apenas uns cinco passageiros como nós, cruzando sem carro ou caminhões.

– Ao contrário do que imaginávamos, a imigração na Espanha mal olhou pra gente – mas buscaram o carimbo de nossa entrada anterior na Europa. Lembre-se de que você saiu e quer voltar para a União Europeia, então esteja com todos os documentos que costumam pedir (Passaporte válido, comprovante de que você tem € 60 por cada dia que pretende permanecer na UE, seguro de saúde que cubra no mínimo € 30 mil de despesas, reserva de passagens para voltar ao Brasil, etc).

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