O imponente duomo, a grande cúpula, da catedral de Florença é dominante na paisagem. Um belo símbolo para uma cidade inovadora por séculos. Berço do Renascimento, eis a casa da poderosa família Medici, financiadores de Da Vinci, Michelangelo, Botticelli, Dante, Maquiavel e tantos outros gênios. Andar por Florença é perceber – num estalo – de quantas revoluções de pensamento o mundo foi feito. E se espantar com a possibilidade da beleza estar em cada esquina.

Realismo anatômico, é como chamam

Sim, esquina: além das numerosas galerias que abrigam séculos das mais importantes coleções de arte do ocidente, espanta em Florença o número de estátuas, palácios e monumentos que fazem da rua um lugar de contemplação. Basta dizer que há em Florença três “Davis”. Trata-se da mais famosa estátua de Michelangelo – aquela em que o algoz de Golias acolhe a pedra sem apertá-la, ao mesmo tempo em que sua face tranquila nos remete à Justiça um momento antes dele acertar a pedrada no gigante (a estátua também é conhecida pela desproporcionalidade do pênis com relação às grandes mãos e cabeça, mas isso é de uma besteira!). São duas as réplicas de tamanho real e estão na rua para quem quiser ver: uma, diante do Palazzo Vecchio, fazendo companhia a tantas outras estátuas localizadas ao redor da Piazza della Signoria. A outra, na Piazzale Michelangelo, de onde é possível admirar também toda a cidade. No nosso caso, por sorte, admirá-la em noite de fogos. 

Vimos tudo isso e tanto mais enquanto passeávamos em busca de mais um gelatto sob o (forte) sol da Toscana. Já a estátua original, 5,17m de puro mármore de Carrara esculpido com primor, está bem guardada na Galleria dell’Accademia. Tão bem guardada que não conseguimos vê-la: para tal é preciso agendar entrada com dias de antecedência ou sofrer em uma das filas impiedosas formadas por uma das cidades mais turísticas de um dos países mais turísticos do mundo: Florença sozinha recebe, em média, 10 milhões de visitantes anualmente.

De costas para a obra de arte

Como nós, todos podem ganhar por ali um banho de “alta cultura”, descobrir que foi baseado em mapas florentinos que Colombo vendeu seu empreendimento para achar as Américas e imaginar que, quem sabe, não fosse Dante escrever ‘A divina comédia’ em idioma vernacular estaríamos até agora penando no latim. Por ali, nada mais fácil que conhecer o Rio Arno e tirar sua foto com a Ponte Vecchia – a única que sobrou em pé depois da Segunda Guerra. Como tantas outras grandes cidades da Itália, quem gosta de comprar vai se perder entre sapatos e bolsas. Passar três dias visitando jamais será suficiente.

As maravilhas de Florença foram tantas vezes descritas, mas um hábito cada vez mais comum chamou especial atenção quando visitamos o grande Uffizi, galeria que abriga coleções de arte dos Médice: os selfies! Lá na Uffizi estão trabalhos de vários artistas famosos, incluindo a Venus de Boticceli. Chegar perto do quadro exigia uma guerra de cotovelos. Mas não porque os fãs queriam passar mais tempo admirando a obra: é que o selfie perfeito com este e outros quadros demanda tempo e muitas poses. Tantas, que os fotografados costumam deixar para ver a obra apenas nas reproduções de volta em casa! O hábito não é exclusivo de Florença, mas para os fãs de auto-retratos parece que a Venus é especial – seria pelas dimensões que facilitam o enquadramento? Merece algum estudo antropológico.

Encontros: Ponte Vecchia de Florença te leva à Bolonha!

Com Nathália e André na foto de último minuto!

Outra vez, o ponto alto da viagem não tem (boa) foto: Florença foi palco de um encontro histórico com um casal de amigos, Nathália e André. Seguimos com eles para Bolonha, breve momento recheado de boas lembranças, vinho e, claro, pizza e macarrão à bolonhesa.

Teve também filme italiano na praça sob as estrelas, com direito à Sophia Loren num engraçadíssimo streap tease para Marcello Mastroiani. Não podia ser melhor, nem mais italiano!

 

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