“É linda.” “É charmosa.” “É romântica.” “É diferente de tudo que você já viu.” Todas essas afirmações são recorrentes nos comentários sobre Veneza. E, na nossa opinião, mais ou menos justas. A cidade “flutua” há séculos na lagoa que leva seu nome e abriga 118 pequenas ilhas. De tão integrada a pouca terra por ali, parece sempre ter estado lá. Está cheíssima no verão e possivelmente sempre surpreenderá seus visitantes. Cada grande grupo, indivíduo ou casal apaixonado procura sua própria Veneza. Entre pontes e canais, há muito o que encontrar.

Casa d´Oro, perfeição da arquitetura do Veneto

Alguns dos edifícios mais bonitos que você verá na vida estarão em seu caminho – à pé ou navegando, tanto faz. Não é à toa que o Grand Canal tenha sido considerado um dos mais lindos boulevares do mundo. Os palacetes imponentes, de cores claras, parecem brotar da água. Foram construídos sobre ela, não vemos terra em nenhum lugar. A rua veneziana, líquida, encosta na porta de modo que o fidalgo pudesse entrar sem molhar os pés. Para isso pode ser que o barco tenha que entrar no edifício também. A praça mais importante da cidade – Piazza San Marco – com a grande catedral homenageando o evangelista é vizinha do palácio Dukal, onde viveu a corte Veneziana e trabalharam os burocratas, governando um ducado poderoso na região dos séculos IX ao XV, com forte comércio, que integrou boa parte do mundo conhecido até então: tudo pelo comércio e pela navegação.

Assim como naquele tempo de praças lotadas de mercadores, se alguém procura gente para ver, não precisa se esforçar. As ruas e calçadas ao longo dos canais são estreitas e aqui os caminhos não parecem levar à Roma, mas sempre à Piazza San Marco. Qualquer rota naquela direção estará congestionada de pedestres. E à noite o ritmo diminui, mas a multidão parece nunca cessar totalmente. Já a busca por italianos será mais ingrata. Encontrar venezianos de várias gerações pode tomar alguns minutos, quem sabe horas. No verão, a maioria da população das ilhas que formam Veneza é de turistas. Os preços sobem na temporada e conforme a altura do seu apartamento: o térreo ‘sobra’ para migrantes ou estudantes porque inunda no inverno.

Venezianos legítimos?

Faltam italianos autênticos, falta também a deliciosa cozinha italiana – apesar de quê (anotem) uma italiana de Roma contou depois que no bairro judeu (!) existe comida boa. Foi uma feliz novidade já que qualquer e todos os guias de viagem admitem que almoços e jantares provavelmente serão mais cenográficos que gostosos em Veneza. E muito caros também. Por isso não é difícil achar gente fazendo lanchinhos em qualquer lugar: pelos bancos, nas sombras sob prédios, nas escadarias das pontes.

Não há muito charme neste tipo de economia gastronômica, mas isso não é suficiente para eliminar o glamour da cidade. O que dizer das roupas e máscaras do carnaval de Veneza? E do multicolorido e surpreendente vidro fabricado na Ilha de Murano, dos pratos às esculturas eróticas? E os produtos de papel e postais, os sapatos de couro? Há cada vez mais maide in China sob as etiquetas que juram origem na Itália, é verdade. Mas o prazer está em encontrar (finalmente!) as peças artesanais e a criatividade decorativa em cada uma delas.

E o romantismo, onde está? Entre quinquilharias-souvenirs e hordas turísticas é possível que muitos acreditem que ele fugiu em temporadas passadas. Foi nosso impacto inicial. Mas não é verdade. Gôndolas estão e estarão sempre lá. Não é possível fugir do alto preço, mas sim do engarrafamento dos canais. E tem mais: são muitos os caminhos que levam à Piazza San Marco e ao Palácio Dukal. Fazer uma caminhada mais longa ajuda a achar as ruas menores e vazias, além daquele canal que é silencioso mesmo ao sol do meio dia. Depois, sempre existirá a noite. É quando os visitantes de um dia só, cada vez mais numerosos, já se foram e deixaram o silêncio e os reflexos da iluminação artificial na água. Tanto quanto sempre haverá ciclo de águas, sempre haverá uma Veneza só para você que procurar.

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