Zagreb foi para nós um lugar para mudar de planos. Faríamos como a maioria, usando a capital como trampolim para o mar azul da costa croata, onde visitaríamos Split e Dubrovnik. No entanto, a chegada do verão e dos grandes festivais, que lotam e encarecem estas cidades, nos fizeram mudar de ideia e rumar para Belgrado. Bom, no final, acabamos em Budapeste, Hungria! Se você também planeja circular na região, fique atento, não perca estas dicas!

A Croácia ainda não é membro da União Europeia – a candidatura se arrasta há anos – e a moeda é a Kuna. Vamos usar os preços em Euros aqui porque foi o modo como facilitamos nossa contabilidade – e porque isso ajuda a comparar os custos com viagens por outras partes da Europa.

O Centro de Zagreb, onde está a maior parte das acomodações, é pequeno: percorremos absolutamente tudo à pé.

Nós passamos 5 dias (!!!) na cidade [quem fica mais do que 2 ou 3???]. Foi divertido e conhecemos várias pessoas interessantes, é verdade! Mas o nosso tempo longo tem menos a ver com ter o que fazer por lá do que com 1) desencontros de passagens, 2) vontade de parar um pouco nesta viagem longa e 3) (necessidade de) assistir aos últimos jogos da Copa do Mundo no Brasil. Em 2 ou 3 dias você realmente vê tudo o que um turista normalmente se interessa em ver por ali.

*obs: Fique atento ao calendário de festivais de verão na Croácia. Seja para ir ou para não ir ao litoral nestes dias. Desistimos de Split porque não teríamos um quarto que custa normalmente 10€ nem se pagássemos os 30 ou 40 nestes dias loucos. E os ingressos para o “Ultra” estavam esgotados uma semana antes do acontecimento, informação relevante caso seja esse seu interesse.

TRANSPORTE

À pé pelo Centro de Zagreb

– Chegamos a partir de Ljubljana, Eslovênia, de ônibus.

– Veja a tabela de horários dos trens na Croácia

– Para buscas de ônibus intermunicipais/internacionais, verifique estes sites: http://voznired.akz.hr/ e http://autobusni-kolodvor.com/

– Zagreb – Belgrado: não se engane com a pouca distância no mapa. Há apenas um trem diário por 30€. Há mais de um ônibus por dia, com preço semelhante. Os horários mudam demais, portanto é melhor verificar nos sites mencionados.

– Zagreb – Sarajevo: o quadro relativo à capital da Bósnia e Herzegovina repete o que encontramos para Belgrado. A passagem custa um pouco menos que 30€ de ônibus, havia seis horários ao longo do dia.

– Zagreb – Budapeste: a melhor possibilidade pareceu ser o ônibus (por 14€, o trem custava cerca de 30€), mas fique atento porque os ônibus não são diários (nos informaram errado, daí termos ficado mais tempo “presos” em Zagreb). Em jul/2014, os ônibus saiam terças, quintas e sábados, 16h15.

– Nos recomendaram verificar o Balkan Pass para viajar na região. Encontramos apenas passes de 225€, para primeira classe. Há opções para 5, 10 ou 15 dias. Viajamos por muito menos e percebemos no caminho que as conexões ferroviárias nos Bálcans podem enganar, não são das melhores… por exemplo: queríamos ir da Grécia para a Turquia de trem, mas esta opção não existe mais. O ticket do Balkan Pass garante viagens ilimitadas nas redes nacionais de trens da Bulgaria, Bosnia & Herzegovina, Grécia, Montenegro, Macedônia, Romênia, Sérvia, República Srpska (territórios de maioria Sérvia na Bósnia) e Turquia.

HOSPEDAGEM

– Gostamos muito do Hostel Chic. Muito limpo e organizado. E o pessoal era tão amigável que ficamos amigos mesmo de um funcionário (que torce para o Ceará FC e é fã do Tim Maia… cada uma…)

ALIMENTAÇÃO

– Nas ruas por trás da praça principal (especialmente na Tkalčićeva ulica) há muitos bares e cafés interessantes, ótimos para passar o tempo e conversar, mas não encontramos um grande restaurante na cidade (inclusive porque cozinhamos bastante na pequena cozinha do hostel).

ATRAÇÕES

Strossmayerovoe a vista do alto, à noite: nada mal

– Não nos pareceu uma cidade com tantas atrações, apesar de ser bonita e organizada. Há alguns museus na parte histórica, mas ninguém recomendou que pagássemos para visitá-los (pelo contrário).

– Dizem que Zagreb é um bom ponto para baladeiros, mas não estamos nesta, então deixamos a ideia no ar…

– “Cidade alta”: é a parte mais bonita, onde estão os edifícios de governo (mais importantes que marcantes, para ser franca…) e a Igreja de São Marcos, com o telhado mais nacionalista que uma igreja pode ter! Há também uma série de museus e galerias de arte, mas não procuramos entrar.

– Pela manhã, e até às 14h, há um mercado de frutas e flores chamado Dolac. É apontado nos guias de turismo como imperdível, mas não é mais do que uma feira comum – estaria aí o seu charme?

Museu das Relações Partidas – talvez a ideia seja mais interessante do que a execução. Há os objetos – vários inusitados, como um machado e um anão de jardim – que vieram de vários países, inclusive do Brasil. Cada um tem textos explicativos, por vezes cansativos, sobre o que aconteceu com os indivíduos. De todo modo, vale a visita (3,50 Euro).

– Ali perto, passe pela rua Strossmayerovo para uma bela vista da cidade e, quem sabe, uma cervejinha. Bom passeio de dia e à noite. No verão são frequentes apresentações gratuitas de bandas locais.

– Caminhe para fora da rota: se o tempo sobrar, passe sob a linha do trem (à direita da estação) e caminhe em direção ao rio Sava para ver a cidade em que os croatas vivem, com vários prédios “feinhos” do tempo do pragmatismo comunista.

– Fora do Centro (vai ser preciso um ônibus ou tram, tínhamos uma carona) dá pra se refrescar no lago Jarun. Não é dos mais lindos que o mundo pode oferecer, mas pode ser divertido.

Plitvice – Ainda não sei se foi bom ou ruim ter deixado de conhecer estas cachoeiras. Estão em área protegida e banho não é permitido, eis um dos motivos pelo qual não fomos! O que você faz lá é ver a queda d´água a partir de uma passarela. O outro motivo de não termos ido é que perde-se muito tempo de transporte público e custa caro (para os nossos padrões) ir nos tours organizados pelos hotéis. Os preços variam de acordo com a época do ano. No verão sai por cerca de 25 euros.