Montenegro foi o último país da Iugoslávia a se tornar independente, pois permaneceu unido à Sérvia em uma federação até 2006. Com o fim da “Sérvia e Montenegro” ficaram no passado os incríveis embates no vôlei contra o Brasil. Ou seja: esperávamos mesmo muitos sérvios naquele verão. Mas, e os russos!? Por que tantos? Não sabemos exatamente, mas o fato é que a origem dos turistas que LOTAM Montenegro na estação do sol foi nossa maior surpresa. No entanto, viver a tranquilidade da baía de Kotor, no mar Adriático, com a perfeita combinação de mar e morro, estava nos planos desde o início.

Vista estonteante! (Ou seria o calor?!)

Em nossas primeiras horas no país e depois de uma exibição de potência de uma Lamborghini na rua, fomos alertados em bom sotaque montenegrino e muitos gestos, enquanto esperávamos nosso ônibus: “…mafia…”. Os preços dos restaurantes, carros sem placa e as discretas reclamações dos locais nos fizeram entender que, apesar de gastarem muitos euros por lá, não eram todos bem-vindos por todos.

Nossa passagem por Montenegro excluiu a capital Podgorica. Na verdade, excluiu “cidades” reais. A ideia era mesmo aproveitar o sol e as férias (dos outros), daí escolhermos a hospedagem em um vilarejo afastado e a parada no litoral norte do país, uma área cheia de cidadezinhas muradas. A região chegou a ser dominada pelos venezianos entre os séculos XV e XVIII. Até o leão de São Marco, símbolo do antigo reino que hoje é parte da Itália, está por lá.

A cidade de Kotor, com muros que a cercam até o topo do morro, onde está uma fortaleza abandonada, é imperdível para quem passa por esse pequeno país balcânico de apenas 650 mil habitantes. Porém, nosso lugar preferido foi o pequeno vilarejo de Prčanj, a 6km da cidade murada, onde vivemos alguns dias. Pouca gente de fora, muito silêncio e água transparente clamando por um longo mergulho. Um overbooking no hotel que reservamos (propriedade russa!) acabou por nos deixar com uma bela vista para o lago, no vizinho.

Dia de festa em Prčanj: até o Bob foi!

Famílias a passeio, pequenos restaurantes e, numa noite de verão, uma quermesse para matar a saudade de casa: música (desafinada), muita animação com vinho e mexilhão de graça (após muita cotovelada), igreja ao fundo e bandeirinhas. Do nosso modo, tivemos nosso mês de julho.

Dizem que os morros que “fecham” a baía de Kotor se comparam aos famosos fiordes da Noruega. Não conhecemos aqueles, mas duvidamos. De todo modo, as montanhas são altas e íngremes, feitas de pedras cuja cor combina com a das águas calmas e escuras. A estrada que contorna esta parte do litoral é muito, muito estreita, e perder retrovisor não pode ser novidade para os condutores, sempre a toda velocidade como em um filme do 007. Mas o espião inglês, para decepção dos fãs-turistas, nunca passou pelo país “de verdade” – diferente do que sugere o enredo de Casino Royale, nenhuma cena foi rodada aqui (ele “circulou mesmo” na República Checa e nas paradisíacas praias da América Central). Diariamente cruzávamos uma parte da tal estrada para chegar e sair de Prčanj, algumas vezes de carona. Os montenegrinos eram muito simpáticos e sempre sorriam ao saber que levavam brasileiros no banco de trás.

English or Russian?

Sim, olharam para este casal baixinho e moreno e perguntaram se falávamos russo! É mesmo a língua (e o turismo) preferencial de Montenegro. E a situação fica ainda mais interessante (e alucinante) em Budva, onde efetivamente esta pergunta nos foi feita e sempre (!) há um cardápio em russo à disposição. Eis um desses lugares que estamos aqui para NÃO recomendar.

Imagina pagar uma grana pra entrar nessa muvuca?!

Imaginem o Arpoador no Rio de Janeiro, no domingo mais quente do ano (mas sem o morro dos Dois Irmãos do lado oposto). Não dá para por o pé na areia. Mas não porque está escaldante: a razão é a multidão que lota completamente cada pedacinho. Em Budva também é assim, mas cada centímetro-quadrado está loteado por bares e restaurantes com música alta, cadeiras e guardas-sol. Para ocupar um “lote”, espere desembolsar 40, 50, 70 euros. Sim: pode custar mais de R$200 para capturar algumas ondas de raio UV e garantir um bronzeado! Não tem areia (apenas pedras, como é comum na região) e não sobra qualquer espaço para você sentar no chão. Andamos mais de uma hora para conseguir parar encolhidinhos já na linha d’água… e ficamos felizes em saber que no dia seguinte saíamos dali rumo a um destino mais que novo, não apenas para nós, mas para o mundo.

Mas antes disso, a última parada: Ulcinj, nosso melhor escritório. Verificar contas, falar com o banco, contratar novo seguro de viagem… você sai de casa, a burocracia nunca sai de você. E qual nossa surpresa, que sob uma linda árvore de kiwis (o nosso escritório) conhecemos um simpático casal russo que logo nos convidou para visitá-los em Yaroslavl. Nem eles, nem nós, poderíamos imaginar que nosso dia na cidadezinha russa chegaria poucos meses depois, e que seriam dos mais marcantes da viagem. Mas essa história vai ser contada no futuro, em posts sobre dias gelados.

Ah sim: estávamos a caminho da Albânia!

*Este artigo é, na verdade, “BY Lívia Duarte & Enrico Luzi”.

2 thoughts on “Em Montenegro. E em russo?!

  1. Hi Elena! We were so happy to meet you in Montenegro and even more to meet all of you – your family and students – in Yaroslav. Will be forever in our best memories :)

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