Budapeste foi a única cidade da Hungria que conhecemos. Chegamos como que por acidente, numa mudança de planos que fizemos em Zagreb, na Croácia. Por fim, gostamos do clima e fizemos dali uma ótima parada de oito dias. Em Budapeste você pode optar por mil atividades, especialmente com a agitada agenda de shows e exposições no verão – ou simplesmente relaxar em uma porção dos 70 milhões de litros de água termal produzidos diariamente. Escolha sua opção, ou faça as duas coisas.

Para visitar a Hungria, brasileiros não precisam de visto. Mas disposição é necessário para viajantes solo: nem tantos falam inglês e até “bom dia” é difícil de aprender em húngaro. Para matar os leões necessários nesta seara, você pode começar lançando mão da ajuda de um podcast como este. Ah! Para entender os endereços, inclusive os que damos aqui: ulica=rua, tér=praça

A moeda é o Forint, mas a maior parte dos preços aqui estão em euro para facilitar comparações com outros destinos. Passamos pela cidade em alta temporada, todos os preços são de julho/2014.

SAQUES EM EURO

Como em qualquer lugar do mundo, os saques com seu cartão internacional em caixas eletrônicos/ATM serão na moeda local. No nosso caso, depois de chegar a Budapeste percebemos que seria bem mais vantajoso – pela taxa de conversão e pelo trabalho de calcular exatamente o quanto gastaríamos para não ter que reconverter mais tarde, perdendo ainda mais – trocar euros do que sacar diretamente em forints.  Não necessariamente esta opção será a mais vantajosa no momento da sua viagem, mas vale pesquisar – especialmente porque muita gente vai a Budapeste depois de passar por outro país na Europa.

Acontece que não havíamos levado euros suficientes! Há apenas 1 (!!!) caixa eletrônico na cidade para sacar euros. É do Optbank (de placa verdinha) na Déak Ferenc, uma rua para pedestres. Fique atento porque boa parte das casas de câmbio cobra taxas de serviço, mas não todas, e aí sim a conversão poderá ser vantajosa com relação a taxa do banco.

HOSPEDAGEM E TRANSPORTE

Uma cidade para ser vista

Budapeste tem este nome, literalmente, pela união de duas cidades, cada uma de um lado do rio Danúbio: Buda e Peste. Buda é bem bonita e tranquila, Peste, também é bonita, mas mais moderna e agitada. O transporte público funciona bem e é possível locomover-se sem maiores dificuldades entre os dois lados. A maior parte das atrações estão em Peste, por isso pareceu um lado melhor para hospedar-se. Revezamos a estadia entre a casa de um casal que nos convidou e o Frankys, um pequeno hostel gerenciado por um casal simpático. O lugar nos atendeu bem por muito pouco (17 euros um quarto privado para dois, banheiro compartilhado). O prédio é horrível – como a maioria no país, aposto-, mas não tenha medo de subir ao último andar: o hostel nada tem a ver com a falta de manutenção geral!

Há um ótimo aplicativo para smartphone que facilita a vida pelos transportes públicos de Budapeste. Ele funcionava perfeitamente off-line. Chama-se SmartCity: consulte linhas e horários para cada ponto do itinerário. O programa apresenta todas as opções de transporte disponíveis a partir de dois pontos que podem ser marcados em um mapa pelo usuário, entre várias outras funcionalidades.

Opção menos interativa é ver aqui um mapa completo do transporte.

Trens intermunicipais e internacionais: Há muitas agências que vendem passagens, gerando certa confusão. No entanto, o preço mais barato é o da empresa oficial. É possível comprar online, mas resolvemos a questão diretamente na bilheteria da estação (o que nos fez gastar um bom tempo de fila…).

*obs.: Nós fomos de trem noturno para Belgrado (15 euros). Viajamos sentados (não entendemos que também havia a opção de camas). Foi suficientemente confortável, exceto pelo frio inexplicável do ar condicionado, que nos deixou doentes, afinal. Um fato relevante desta viagem é que a polícia Sérvia não carimbou nossos passaportes. Isso é comum nos Bálcãs, segundo explicação de um funcionário da Embaixada do Brasil em Sarajevo. Mas a verdade é que nos causou problemas na hora de sair da Sérvia (mais um ponto para aquele policial corrupto da fronteira). Esteja atento! (Mais detalhes desta história? Leia aqui!)  

Promoções para chegar e partir da Hungria pelo ar: o Aplicativo para Smartphones da empresa húngara para vôos low cost Wizz Air não apenas serve como ferramenta útil de busca como apresenta promoções exclusivas para usuários do aplicativo. Instale quando estiver programando sua viagem na busca por vantagens.

RESTAURANTES

A culinária húngara não é das mais especiais, mas é uma cidade com muitas opções de bares e restaurantes. Aqui anotamos alguns testados e aprovados (todos em Peste):

1) Most! – com comida boa e barata, oferece menus ideais para a hora do almoço (10,80 euro para duas pessoas! Menu com suco, salada, prato principal e sobremesa) e tem mesas agradáveis do lado de fora. Na Zichy Jenő utca 17.

2) Kiado Kocsma – o atendimento deixa a desejar, mas os pratos são bem servidos, comida e bebida bem feitos (17 euro, prato que dividimos (e quase sobrou) e bebidas). Na Jókai Tér .

3) Klauzal Cafe – restaurante bonitinho, com bom atendimento e ótimo strudel de maçã (20 euros para dois). Na Klauzal utca, 23.

4) Fricipapa – simples e prático. Muito barato também (7 euros, duas refeições). Na Király utca, 55.

5) Istambul Giros – há muitas casas de giros/kebab pela cidade, não há opção mais barata que estes saborosos sanduíches. O melhor que provamos está ao lado da estação central de trens (4 euros, dois SUPER giros).

6) Lojinha sem nome: não anotei o nome da santa (acho que é Cafe Noe), mas procure pela pequena confeitaria que vende Flodnija, tradicional bolo judeu de várias camadas com ameixas. Delícia (2 euros a fatia)! É perto do Szimpla, na rua Wesselényi (perto da esquina com a rua Kazinczy) e há, dentro da loja, muitos recortes de jornal mostrando que a dona é uma confeiteira famosa.

7) Parázs Presszó – ótima comida tailandesa (15 euros para dois) e boa alternativa para o domingo, quando grande parte dos restaurantes está fechada. Na VI Jókai utca, 8.

ATRAÇÕES

BANHOS

Nada como uma piscina depois da outra...

Uma das principais atividades na cidade é visitar os banhos termais. Há diversos disponíveis, além de piscinas nas áreas mais periféricas. Para frequentá-los, não esqueça roupa de banho, chinelo e sabonete. A recomendação é lavar-se antes e depois de usar as piscinas e saunas para evitar doenças de pele e a contaminação dos ambientes.

Fomos a dois banhos. Szechenyi é o maior da cidade e bastante turístico. Há várias saunas na área interna, assim como séries de piscinas aquecidas em diferentes temperaturas. Do lado de fora está uma grande piscina morna para natação, onde o uso de toca de banho é obrigatório (você pode alugar na portaria). Há ainda outras para recreação na área externa. Alugar uma cabine é muito prático para troca de roupas, e seguro também. Uma cabine tem espaço suficiente para duas pessoas. É possível contratar massagista e outros tratamentos de beleza. No verão são realizadas festas à noite, consulte para preços e datas.

Abaixo os preços no tempo da nossa visita. Conversão à época: 1 euro = 300 ft.

Tickets para um dia

Preços (Ft)

Dias de Semana

Fins de semana e feriados

Ticket para o dia, com uso de cabine

4 600 Ft

4 800 Ft

Ticket para o dia, com uso de armário

4 100 Ft

4 300 Ft

Ticket para meio período (manhã ou tarde), com uso de cabine (Piscina a partir de 19h)

4 300 Ft

4 500 Ft

Ticket para meio período (manhã ou tarde)Piscina a partir de 19h

3 800 Ft

4 000 Ft

Ticket para meio período (manhã ou tarde), com uso de cabine e piscinas termais a partir de 17h

4 300 Ft

4 500 Ft

Ticket para meio período (manhã ou tarde), com locker (Piscinas termais a partir de 17h)

3 800 Ft

4 000 Ft

Ticket para apenas visitar (e eu penso: que sentido tem isso??? rsrsrsr)

1 650 Ft

Preço da Cabine

500 Ft

Já o Rudas Bath é o mais tradicional em funcionamento, e a nossa recomendação. Bem menor, tem arquitetura otomana e o teto em domo abriga vitrais coloridos iluminando a piscina central. Por este detalhe que faz toda a diferença vale visitar durante o dia. Há duas saunas com diferentes temperaturas, serviço de massagista e diversas piscinas variando de (quase) congelada a queimando (!). Cabines estão incluídas no preço do ingresso.

Atenção: na época da visita finais de semana são de uso misto, terças-feiras são reservadas apenas apara mulheres e nos demais dias é permitida apenas a entrada de homens. Confira se permanece assim antes de ir.

Abaixo, os preços em julho/2014. Conversão à época: 1 euro = 300 ft.

Tickets para uso das termas

Preços (Ft)

Dias úteis

Finais de semana

Entrada para o dia, com cabine incluída

3 000 Ft

3 300 Ft

Combinado de piscine e banho termal, com cabine incluída

3 900 Ft

4 200 Ft

Ticket Noturno (Sextas e Sábados, de 22h às 4h)

3 700 Ft

Ticket para period da manhã, com cabine (9h às 12h)

2 300 Ft

BUDA

Passamos apenas um dia neste lado, mas é suficiente para ver as principais atrações e a vista para o Rio Danúbio. Passe pelo Bastião dos Pescadores e reserve um tempo para as galerias de arte. Está nesta região um hospital secreto/bunquer estabelecido na Guerra Fria (Hospital na Pedra) bastante famoso na cidade. Apenas visitas guiadas são possíveis, não fizemos (20 euros).

PESTE

Aqui podemos comentar alguns lugares pelos quais passamos, mas na realidade há tanto que ver!

1) Free walking tours: são cheíssimos no verão, mas, surpreendentemente, gostamos mesmo assim. É raro encontrar tours gratuitos e temáticos, mas em Budapeste eles existem. Andamos acompanhados por guias no Tour “Comunista” e no Bairro Judeu. Recomendamos especialmente o primeiro, porque os guias eram muito bons e você passa a ver a cidade com outros olhos. O ponto de encontro é a Vorosmarty Square e, como é frequente neste tipo de tour grátis, gorjetas são bem-vindas e variam de acordo com o que você acha que os guias merecem. Veja horários e confira o lugar da partida no site.

2) A Hungria tem um dos maiores parlamentos do mundo, você não vai conseguir ir embora sem ver o prédio impressionante! É possível visitar, confira as condições (não entramos, o dia estava lindo demais fora).

3) Atrás do Parlamento estão famosos sapatos de metal, um monumento em lembrança das vítimas do nazismo jogadas no rio.

4) Avenida Andrássy: Vale cada minuto de um passeio de ponta-a-ponta. É uma longa avenida cheia de mansões que termina na Praça dos Heróis (Hõsök tere) e no Parque da Cidade (Városliget), um ótimo lugar para relaxar (não esqueça todo o necessário para um piquenique). Ao lado do Monumento aos Heróis há dois museus, o de Belas Artes e outros de História. Ambos têm programações por temporada e vale consultar.

5) “Casa do Terror” (Terror Háza): a casa nº 37 da Avenida Andrássy serviu de aparelho repressivo para nazistas e comunistas. Hoje é um museu dedicado à memória das vítimas. É possível fazer uma visita interessante e a curadoria investiu em itens de impacto, a começar pela sonoplastia da recepção (não vamos sair descrevendo e atrapalhar suas impressões). Ao mesmo tempo, a enorme quantidade de informação é disposta apenas em páginas de papel ofício impressas em húngaro e inglês, que os visitantes saem recolhendo a cada nova sala. São três andares de salas pequenas, o que dá noção da ineficiência do sistema: você vai passar por inúmeros visitantes que (como você) tentam se escorar nas paredes, na esperança de chegar ao fim das leituras propostas.

A "Casa do Terror"

6) A Catedral St. Stephen´s é das poucas que sobreviveu ao comunismo – portanto, o mais interessante nela é o fato de não ter sido demolida. Foi restaurada recentemente, o que dá um engraçada sensação de algo antigo com cara de muito recente. Entrada gratuita (há uma taxa a ser paga para interessados em acessar a torre, informe-se no local: Szent István tér, 1).

7) Bairro Judeu: é famoso hoje especialmente pelos restaurantes e bares, entre estes, os “bares ruínas”. O Szimpla é o mais antigo deles, uma verdadeira “instituição” de Budapeste, tem programação intensa que você pode acessar aqui. A visita a estes ambientes antes em ruína e agora vivos e com falsa aparência de abandono vale até para os menos boêmios. A rua Madách Imre é uma referência para encontrar outros tipos de bates e restaurantes interessantes.

8)Faltou: como já comentamos, Budapeste oferece muitas opções, mas o que queríamos mesmo era parar. Então, claro, faltou fazer alguns programas que são sempre citados como fundamentais na cidade. Além de alguns já mencionados, você pode conferir (e contar como foi para nos matar de inveja!) o Memento Park (ainda estou arrependidíssima de não ter priorizado!), que reúne as antigas esculturas realistas dos comunistas; a Ilha Margarida, um parque tranquilo entre os bancos do Danúbio com intensa programação de festivais no verão e os diversos parques aquáticos fora da cidade. Vimos também uns tais jogos chamados “fuja do quarto” em alguns bares. Acabamos não explorando o que são, então a curiosidade permanece.

CORREIOS: DISPENSE ESTA AVENTURA EM BUDAPESTE

Correios: vitória?!

Uma atividade que consumiu uma boa quantidade do nosso tempo e energia em Budapeste foi enviar uma caixa com presentes para o Brasil. Sim, a aventura durou 4 longas horas!!! Em resumo: ninguém fala uma palavra de inglês; o humor não é dos melhores; eles não fornecem caixas (e é um parto à forceps comprar uma na região dos Correios); remetente e destinatário estão em posições diferentes das do Brasil no pacote; é preciso um endereço com código postal na Hungria para mandar a correspondência; e nada disso a gente entende fácil enquanto a fila só aumenta e a impaciência geral também.

Por tudo isso, recomendamos que apenas cartões postais sejam enviados de lá para qualquer lugar!

 ps.: Apesar de tantas desventuras o pacote chegou até que rápido ao Brasil, onde ficou retido por dois meses na polícia. Esperávamos o dia em que o tal casal simpático do hostel nos escreveria comentando que nosso pacote havia voltado…

 

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