Marco no mapa o ponto onde desceremos, de lá pra frente precisaremos de um taxi. Acenando, o trocador nos recebe, cobra um valor muito acima do esperado, pergunta onde vamos. Faz uma ligação e sorri, malandro, pros dois únicos estrangeiros no ônibus. Um tempo depois, abre a porta, nos chama e diz que chegamos, um taxi nos aguarda. Abro o mapa, ligo o GPS e confirmo a suspeita: estamos a 15km ainda de nosso ponto. Mostro que não vamos cair no golpe e sinalizo pro motorista seguir em frente, não seremos enganados. Essa história é real e mostra a utilidade do que vamos mostrar nesse artigo: roupa, dinheiro e transporte são assuntos recorrentes, mapas nem tanto. Vamos falar um pouco das diferentes opções de aplicativos para localização, o que vemos outros viajantes fazendo e discutir alguns prós e contras.

A opção mais tradicional é o uso dos mapas de papel, sejam os com boa escala e nome das ruas, ou os turísticos, que exibem com destaque apenas os pontos de interesse com desenhos. Essas estratégias clássicas podem ser úteis (ou salvadoras em caso de falta de bateria). No entanto, chamam atenção desnecessária para o viajante e dependem de bom senso de direção aliado a informações que podem ser difíceis de obter, como o nome das ruas ao redor, visto que muitas vezes não há placas ou elas não estão em alfabeto latino (mas em cirílico, árabe, grego, etc…).

Pra onde agora?

 

OS MAPAS DIGITAIS

a) Google Maps 

Já pensando em mapas virtuais, provavelmente você tenha em mente o Google Maps desde o início do artigo. O sistema de mapeamento da empresa americana é excepcional, permitindo a marcação de pontos de referência, visualização de comentários de outros usuários (reviews) sobre lugares como restaurantes e hotéis, traçar rotas e, em alguns lugares, até a visualização da rua através da ferramenta “Street View” é possível.

As limitações aparecem quando a conexão com a Internet é reduzida ou inexistente. Achar um Wi-Fi pode ser tarefa complicada e as operadoras de telefonia celular não parecem querer ajudar muito nesse caso: no Brasil a conexão é lenta e as áreas de sombra (quando você fica sem cobertura) são frequentes, mesmo nas cidades grandes. No exterior, especialmente quando a estadia em um país é de curto prazo, pode não valer à pena o custo e a dor de cabeça de conseguir um SIM card local. Ao mesmo tempo, os custos do chamado “Roaming Internacional” (usar sua operadora do Brasil pra ter telefone e Internet fora do país) são exorbitantes.

Pensando nessas situações, o aplicativo do Google Maps passou a permitir, há algum tempo, o download de parte dos mapas, viabilizando a visualização offline. Faça assim pra testar:

1. Abra o aplicativo, procure a área desejada e digite na busca “ok maps”.

2. Neste momento ele te informará se é possível o download ou o que deve ser feito. Na minha primeira tentativa (um vilarejo na Eslovênia) a área não estava sequer disponível para download…

#googlemapsfail

 

Sendo assim, troquei o teste para Veneza e pude fazê-lo. Caso a área seja permitida, você deverá adequar o tamanho do mapa para download alterando o zoom, ou seja, a área não poderá ser muito grande. Para uma cobertura maior você precisará salvar várias partes da cidade separadamente.

3. Estando tudo de acordo, basta clicar em “Salvar”, escolher um nome para o mapa e aguardar o download.

Ajuste, salvar e pronto!

 

A partir desse momento você poderá ver este pedaço do mapa sem uma conexão ativa. Qualquer elemento além de sua borda, fora da área salva previamente, continuará a ser apenas uma sombra, sem detalhes como nomes de rua ou construções. Nenhum recurso além de percorrer o mapa e alterar a aproximação estará disponível. Então só será possível achar uma rua, por exemplo, de forma manual.

b) Mapas offline

Em paralelo aos mapas proprietários do Google, a empresa OpenMaps iniciou há 10 anos um projeto de mapas colaborativos de licença aberta, que podem ser utilizados online, através de um navegador ou aplicativo, ou offline, através de aplicativos parceiros.

Nesse quesito, após testar diversas opções, resolvemos investir no Maps.Me (disponível para Android, iOS, etc.) da My.com. Com ele é possível visualizar quaisquer mapas offline e utilizar o GPS/bússola do seu aparelho para definir localização/direção. Alguns dos recursos adicionais disponíveis que sempre usamos são: a busca por qualquer tipo de objeto, seja uma rua, restaurante, hotel, cidade, etc., a marcação de locais com pinos (que podem ser salvos em categorias, com direito à inclusão de observações pessoais sobre cada local) e a navegação entre pontos.

O ícone do programa e sua tela inicial

 

No intuito de poupar espaço no seu cartão de memória, os mapas são baixados por demanda e por país ou em alguns casos, como o Brasil e a Rússia, subdividido em regiões. Você terá a opção de baixá-los na forma simples ou com o recurso de navegação incluído.

O menu na tela inicial, a lista de regiões e as partes do Brasil a serem baixadas individualmente

 

Habilitando o GPS, a tela será centralizada em uma seta azul indicando sua posição geográfica e o sentido para o qual está virado. Caso você ainda não tenha baixado o mapa do local, um atalho aparecerá na tela sugerindo que o faça.

Minha localização atual, definida pelo Wi-Fi ou GPS e o mapa da Albânia, pronto para ser baixado

 

A pesquisa é acionada através da lupa na tela principal do aplicativo. Algumas opções de categorias são oferecidas no menu e uma caixa de pesquisa aparecerá para que você possa digitar o que deseja encontrar. Aqui é necessário atenção: os criadores dos pontos de interesse são os colaboradores do sistema, os usuários, e não há uma determinação, apesar de ser boa prática, que os nomes estejam em caracteres latinos ou em sua língua. Sendo assim, pode ser necessário uma busca do modo como se escreve no local para achar algo. Na Sérvia, por exemplo, encontramos muitos pontos com o nome em inglês, recorrendo ao alfabeto cirílico raramente. Já na turística Grécia, tivemos mais dificuldades e o teclado em grego foi importante. Recorremos ao download de um teclado adicional que permite o uso de alfabetos alternativos, uma mão na roda! Quem tem Android pode clicar aqui.

Em busca de um restaurante. Clicando "Pesquisar no mapa" dá pra ver os pontos verdes referentes à lista encontrada.
Procurando em russo e em chinês usando a tradução do Google Translate. Às vezes precisa dar umas voltas, mas sempre acha!

 

A “pinagem” é outro recurso interessante. Diversas vezes fomos conduzidos a algum lugar que gostaríamos de voltar ou indicar para alguém, mas não sabíamos. Para isso, basta manter o dedo no local desejado, aguardar o aparecimento do pino, clicar na estrela no canto superior direito e definir um nome, uma cor e caso queira, uma categoria específica, que pode ser o nome do país, um tipo de lugar (cinemas, teatros, praias, etc).

Dá pra ver também a distância ao ponto e compartilhar via rede social, Bluetooth, etc.

 

Estes pontos podem ser acessados depois através da estrela na tela principal e compartilhados. Aqui na nossa volta ao mundo nós pesquisamos sobre uma cidade, marcamos os lugares interessantes e enviamos o arquivo por Bluetooth um para o outro. Dessa forma, ninguém se perde e conseguimos pensar num roteiro prático 😀

Clicando no símbolo de compartilhamento no canto superior direito você pode mandar pra outra pessoa por Bluetooth. Dá também pra importar um KML/KMZ do Google e deixar ele montar os pins pra você.

 

Caso tenha visitado algum lugar e viu que ele não está no mapa, você pode se inscrever no site do OpenMaps e contribuir com uma referência. A ferramenta de criação é bem simples, como uma de desenho, em que você define a área (no caso de uma praça ou prédio), a linha (no caso de uma rua, rodovia, etc.) e preenche as informações básicas, como a categoria (atração, praça, restaurante…) e o nome.

Um recurso mais recente é o de navegação. Ainda em fase inicial, ele não considera com perfeição a mão das ruas para uso como GPS do automóvel porém é uma ótima ferramenta para estimar a distância entre dois lugares, seja para ir a pé, pedalar ou até mesmo para conferir se o taxímetro não está muito ligeiro. Basta selecionar o ponto de destino e clicar no desenho do carro no topo da tela.

2.9km pelo caminho mais curto

 

Lado a lado

No uso diário, comparando as duas ferramentas – GoogleMaps e Maps.Me – , nossa percepção é de que o Google tem mais nomes de ruas, geralmente em inglês e na língua local. No entanto, a precisão de pontos é consideravelmente maior no Maps.Me, principalmente na numeração de casas e sobre o lado da rua em que se encontram. Ou seja, com os mapas livres é mais fácil achar um prédio. Nele também encontramos rotas “não oficiais”, como trilhas, escadas e atalhos que são muito úteis e, somados à disponibilidade offline (tema principal deste artigo) declara o “nosso” vencedor.

No Google Maps a área ao norte de onde estamos é intransponível. No Maps.me dá pra ver as vias de terra marcadas. Comprovamos que existiam!
No tal vilarejo na Eslovênia, o Google mostra apenas uma sombra errada do caminho oficial, enquanto no Maps.me as trilhas, inclusive as fora do circuito principal, estão marcadas.

 

Esse dia a trilha não dava em lama :D

 

E você, como se localiza por aí ? Conhece alguma outra solução? Conta pra gente!

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