Faltou pouco para a Grécia não ser cortada do nosso roteiro. Por um lado, achávamos que o país merecia um tempo que não tínhamos. Por outro, já estávamos muito ansiosos para chegarmos à Turquia e ao Irã, nossos destinos seguintes. Pairava secretamente no ar, ainda, uma certa antipatia por aquele lugar das entendiantes capas de revistas de viagem… No fim, fomos. E nos hipnotizamos com o brilho do mar em longos cafés da manhã na varanda do nosso pedacinho de paraíso. Para um roteiro de duas semanas enxuto e bem aproveitado, com algumas ideias do que fazer diferente de nós, confira aí nossas dicas.

Nosso roteiro

Vindos da Albânia, descemos em Ioanina, ou quase, para pegarmos um ônibus até Trikala, a cidade que usaríamos como base para visitar os monastérios de Meteora. Saímos de trem para Atenas e de seu porto navegamos até as lindas ilhas de Naxos e Anafi. Uma opção lógica seria cruzar por mar até a Turquia e seguir viagem, mas era mais econômico retornarmos à Atenas e seguir (de ônibus) até Istambul, além do quê havia  desencontro de datas das barcas entre as ilhas.

No mapa, além da nossa rota, é possível ver alguns pontos de destaque, incluindo lugares que consideramos ir e que você poderia incluir no seu roteiro. Um deles é o Monte Olimpo, que pode ser subido em 1 cansativo dia, ou em 2 com pernoite em um abrigo. Outra parada interessante seria em Marathon. Ali os gregos resistiram a uma invasão persa em 490AC e o corredor Pheidippides partiu a pé até Atenas (depois de várias outras correrias…) para informar sobre a vitória no estádio Panathinaiko. A distância? Uns 40km. Soa familiar?

Moeda/câmbio

A Grécia utiliza o Euro como moeda e a cotação em Ago/2014 era de 1 Euro = R$ 3,2. Nossa média de gastos foi de 32 euros/dia/pessoa, a mais alta da viagem até então. Dois fatos explicam isso: não utilizamos Couchsurfing e ficamos apenas 13 dias, diluindo pouco o valor dos transportes caros, principalmente entre ilhas, que representaram 38% de todos gastos.

Alimentação

Contando todos os restaurantes e compras, gastamos 11 euros/dia/pessoa. É fácil se virar bem por lá com os mercados e restaurantes. Frutos do mar, salada grega, iogurtes… Refeições por 5 a 6 euros eram comumente encontradas, sem ter que apelar para os tradicionais sanduíches.

Visto

Brasileiros NÃO precisam de visto para a Grécia para estadias de até 90 dias num período de 180 dias. É a regra que se aplica aos países que fazem parte tratado de Schengen.

Data da viagem

Fomos entre 24/Ago e 05/Set de 2014. Não é uma boa época, conforme tantos nos avisaram. Fomos mesmo porque era o que dava pra fazer… O verão está em super auge e o calor de Atenas é realmente insuportável (não seja presunçoso como nós, achando que saiu do Brasil e qualquer calor é ok…rs). Como essa época é de férias na Europa, os preços costumam variar para cima, mais uma desvantagem.

Idioma

Não tenha medo do grego! Pode parecer muito difícil, mas para quem fala português as semelhanças logo aparecerão. Para se virar com mais facilidade, é bom aprender o alfabeto, pois nem todas as placas e avisos estarão traduzidas. Se você é matemático, engenheiro, físico ou transita em áreas afins, vai se dar bem: o som de cada letra grega é o seu nome. Quer ver só?

O nome da cidade que mencionamos anteriormente, Kalampaka, se escreve em grego assim: Καλαμπακα.

Pra ler você pega cada letra e vê o nome:

Κ – kappa
α – alfa
λ – lambda
α – alfa
μ – ni
π – pi
α – alfa
κ – kappa
α – alfa

Olha lá, Kalampaka, igualzinho. Decorar a tabelinha abaixo (ou levar de cola) pode facilitar.

Alfabeto grego

Atrações

Resolvemos dividir nossa estadia em três etapas: os monastérios de Meteora, Atenas e as ilhas. Muitas outras coisas nos interessavam, mas o tempo andava contado devido à estadia mais longa em alguns lugares dos balcãs (e a urgência de chegar à Rússia antes do inverno).

Meteora

A Grécia esteve em constante batalha contra invasores, fossem romanos, otomanos, persas… Buscando um pouco de paz, alguns monges resolveram se isolar nos pináculos de Meteora lá pelo séc. IX, morando nas reentrâncias das rochas. Séculos depois começaram a construir os monastérios, içando o material e permitindo a subida de poucas pessoas através de escadas, que eram baixadas apenas sob demanda.

O resultado foi a construção de mais de 20 monastérios, seis resistiram.

A vista dos monastérios em Meteora

O acesso pode ser feito por um tour ou por conta própria. Ônibus rodam entre o monastério principal, Meteoron, e a cidade de Kalampaka. Já entre os monastérios não há transporte, é necessário andar (alguns são próximos uns dos outros…) ou pegar um taxi. É possível também alugar uma scooter na cidade (se você tiver licença para dirigir).

Mapa de Kalampaka e Meteora

Uma boa fonte de horários atualizados para visitar os monastérios é o site Visit Meteora, pois em cada dia da semana um está fechado, então é necessário se programar de acordo caso esteja interessado em algum específico.

Os horários

 

Atenas

Bares, restaurantes, cinemas, festas, história e ruínas, muitas ruínas !! Tem muito para ver e fazer no lugar mais quente e abafado que fomos em toda viagem até o momento.

– A Acrópole é o ápice de uma visita à Atenas. Aliás, o nome também indica: em grego, acrópole quer dizer cidade construída no alto – e há várias acrópoles no mundo, mas esta é “A” Acrópole. O ingresso custa 12 euros e com ele você pode visitar todas as ruínas no morro da Acrópole de Atenas (o Parthenon, templos dedicados à deusa Atena, o balcão das cariátides – colunas em forma de mulheres -,  todos estes no topo, e atrações na parte baixa do morro, como o Teatro de Dionísio). O mesmo bilhete permite a entrada na Ágora, no Museu Arqueológico de Kerameikos e na Biblioteca de Hadrian, que estão em outras partes da cidade. Para detalhes atualizados dos descontos e dias gratuitos você pode acessar o site oficial aqui. Em geral, as atrações abrem de 8h às 17h. Chegamos às 8h à Acrópole e às 8h30 os visitantes do cruzeiros já estão no topo e ficar  superlotado! Irritado, fui embora e voltei no meio do horário do almoço, 12h30, para ver as atrações da parte baixa do morro. No  topo ainda parecia bem cheio, mas bem menos ruim do que de manhã. Só que é a hora de derreter também…

Saltando em Cape Sounion

– A Ágora não tem muitas explicações ou sinalização sobre as ruínas. Não fizemos, mas por este motivo acreditamos que pode ser interessante contratar um tour guiado. A região em seu redor tem vários bares e restaurantes, vale a caminhada.

– O Museu da Acrópole fica bem em frente a entrada principal da Acrópole. É mesmo imperdível e nós quase perdemos, deixamos pro último dia! Custa 5 euros (há várias possibilidades de gratuidade, inclusive para jornalistas). Confira os horários no site. Quando visitar, não se esqueça de que há “arqueologistas anfitriões” identificados com uniformes e dispostos a responder suas perguntas (em inglês) sobre a exposição de 9h às 17h. O museu foi financiado principalmente pelo governo britânico em forma de (quase) compensação pelas peças que estão no British Museum de Londres e que eles não querem devolver de jeito algum.

– Um programa que adoramos foi ir a um dos muitos cinemas ao ar livre na cidade. O Cine Paris foi nosso escolhido: é lindo! Do lado da tela você tem a vista incrível da Acrópole iluminada. Pegamos uma sessão de fim de tarde e vimos o sol baixar e as luzes se acenderem. A lista de opções cinematográficas e outras possibilidades da cidade pode ser acessada no Guia de Atenas.

– De uma tacada só é possível visitar a praça Syntagma, onde está o parlamento e o coração político da cidade, e a troca de guardas, que ocorre de hora em hora, quando o relógio marca 30min após hora certa, e o estádio Panathinaikos que tem mais de 2000 anos de existência.

– Por fim, um dos lugares, senão o lugar, que mais gostamos foi o templo de Poseidon, a 70km da cidade, de frente para o mar em Cabo Sunion. Fácil de chegar pegando o ônibus da Ktel no ponto do mapa abaixo.

Horários conforme a foto a seguir. Porém, fique atento porque há duas rotas: a cênica, e a sem graça (igual a que o Maps montou em cima…).

Os horários do ônibus para o Templo

As ilhas

A Grécia tem milhares de ilhas e escolher uma ou duas pra ir foi das tarefas mais difíceis na viagem. Primeiro, por indicações variadas das pessoas que encontrávamos e, depois, pela logística e preço.

As ilhas se dividem em alguns grupos com características diferentes de vegetação, clima, cultura e tipos de praias. Algumas matérias interessantes podem ser lidas no Telegraph e Lonely Planet.

Mapa das ilhas gregas

Nós decidimos investir nas Ciclades e acabamos em Naxos e Anafi. Com peso no coração, eliminei Amorgos pela dificuldade da logística de horários e dias das barcas. Mykonos, a ilha festeira, foi deixada de fora. Santorini é um hub de barcas no sul das Ciclades, muitas passam por ali e seguem para outros locais, como a que usamos para chegar em Anafi,  a vizinha menor.

As famosas ilhas e nossas opções

Amorgos

Ir pra Amorgos se resumiria a uma experiência cinematográfica. A ilha foi cenário do filme “The Big Blue” com o Jean Reno, e era um sonho de consumo. Terei que voltar para conferir…

Naxos

A ilha tem uma Hora (a cidade mais importante das ilhas é chamada assim) bem grande e várias praias, inclusive para prática de windsurf. A praia de Plaka foi nossa preferida com sua areia branca e mar transparente. Em qualquer lugar é possível alugar bicicletas, scooters, quadriciclos ou carros (motores apenas se você tiver licença para dirigir). A ilha é bem montanhosa, então para chegar ao lado leste é necessário um transporte que seja capaz de lidar com o sobe e desce. Não temos carteira de moto e apenas uma loja concordou em alugar, mas quando disse que seria para atravessar a ilha nos proibiram, perigoso demais! Achei que para não querer alugar o risco provavelmente era real e simplesmente pegamos um par de bikes e rodamos todas praias da costa oeste. Factível, mas cansativo: o vento não ajuda muito!

Kitesurfing em Naxos

Anafi

Que achado! A barca lotada me fazia imaginar a praia da minha ilha “deserta” já com música alta e gritaria… A cada ilha, o anúncio para que os passageiros se preparassem e apenas uns 10 ou 20 se mexiam. Ao ouvir “Santorini” uma multidão furiosa levantou, centenas de pessoas buscando suas malas. A ilha parece ser linda, com a clássica Hora de casas branquinhas iluminadas pelas cores do por do sol que se aproximava. Mas, junto com outros 30 passageiros, permanecemos e seguimos em direção à Anafi. O mesmo cenário nos aguardava lá 😀

A ilha tem várias praias ao longo da costa sul. É possível ir caminhando pelas trilhas e experimentando uma por uma, ou alugar uma bicicleta/scooter/carro. Ao fim da estrada, um convento e uma super cansativa trilha ao topo, para encontrar uma pequena igreja com incrível vista da ilha.

 

Assento VIP no topo da ilha de Anafi

 

Acomodação

Trikala – Hostel Meteora

As acomodações em Kalampaka eram muito mais caras do que ficar em Trikala e ir até lá de ônibus ou trem. O Hostel Meteora ajuda com toda logística, mapas e simpatia.

Atenas – Usamos AirBnB

Os hostels em Atenas, mesmo “budget”, são caros e tem notas medianas. Por isso não nos pareceram tão convidativos quanto alugar um quarto por 20 euros (para duas pessoas) num apartamento em que poderíamos usar cozinha, sala de estar, etc. A cidade tem um ar largado e até perigoso em alguns cantos, portanto é interessante preocupar-se em ler comentários prévios para saber se está se hospedando em uma boa região.

Naxos – Studios Alsos

Ficamos na Guesthouse Studios Alsos e foi ótimo. A localização é boa, pertinho do centro de Naxos e eles te buscam no porto e levam sem custo. Quarto privado ensuite por 20 euros. A família dona do negócio é simpática e qualquer coisa basta anotar no caderninho na portaria e rapidinho eles resolvem.

Opções mais baratas são os campings. Chegamos a considerar o Maragas, o Plaka Camping e o Naxos Camping.

Anafi

Poucas opções em sites de reserva, mas na realidade quase toda casa tem um cantinho para alugar. Ligamos para um hotel e ao chegarmos nos empurraram para a casa de uma senhora, que tinha, possivelmente , a varanda mais alta da ilha. Custou 25 euros por noite por um apartamento inteiro a nossa disposição. E o contato? Não tem! Tem que chegar lá e procurar a casinha que fica embaixo da igreja, no ponto mais alto da ilha!

Transporte

Andamos de ônibus, trem e barco na Grécia e juntamos os melhores lugares para consultar preços e horários possíveis a seguir.

Perdidos em poucos minutos na Grécia...

Ônibus

Para ônibus a empresa Ktel está por todo lado e o site deles é uma boa fonte de informação. No entanto, para “alegria” dos viajantes, eles dividiram o site na localidades. O link anterior por exemplo é o genérico e dali você encontra na seção “Information about all Ktel Companies” o link pra cada site! Pra achar ônibus originando em algum lugar você precisa encontrar o site adequado. Pra Trikala usávamos o Ktel Trikala, por exemplo.

Os horários atualizados

 

Trem

Queríamos usar trem para chegar a Atenas, e de lá para Istambul. Infelizmente o trem que corria direto até a cidade turca não circula mais. É necessária uma troca na fronteira ou, mais fácil, ir de ônibus diretamente.

Para Atenas a partir de Trikala, acessamos o site da ferrovia grega, OSE, e fiz de tudo pra conseguir comprar por lá, mas não foi eficiente. Pelo menos deu pra consultar os horários e preços… Um dos trens não envolvia troca, fomos nesse, o valor foi o do “Cost at issuing desk”, 13 euros.

De Trikala pra Atenas

 

Veja que na coluna WEB é possível ver que ainda tem 9 passagens promocionais a 9 euros. Li em alguns foruns que selecionando esse trem e percorrendo os vagões na tela seguinte deveria ser possível encontrar os assentos coloridos de acordo com o preço. Mostrei isso na estação e tentei convencer, mas não colou…Se você conseguir, me conte 😀

 

Aí, cadê o colorido dos assentos?

Obs.: a estação de Trikala fecha por 3 horas para o almoço, entre 12h e 15h. Longo, longo almoço…

Barcas

As barcas podem ser compradas diretamente nas lojas perto do porto de Piraeus, ficam espalhadas pelas ruas em volta do metrô. Você pode consultar o site uma a uma ou usar um agregador. Testei vários e percebi que alguns omitiam certas empresas!! O melhor que encontrei foi o Petas. A barca Atenas-Naxos, por exemplo, é só buscar assim:

Piraeus - Naxos

Observe que para achar a barca eu tive que colocar a origem como “Piraeus” que é o nome do porto em Atenas. Em geral os portos tem o nome das ilhas ou cidades, mas alguns não, segue uma listinha das exceções:

Porto de Piraeus em Atenas
Porto de Rafina em Atenas
Porto de Lavrio em Atenas
Porto de Chania em Creta
Porto de Heraklion em Creta
Porto de Rethymnon em Creta
Porto de Katapola em Amorgos

E caso prefira buscar site por site das companhias de ferry, pode usar essa lista como referência.

Atenção pois nem todas as barcas operam todos os dias, principalmente nos trajetos entre ilhas menores. Os maiores hubs são Naxos, Santorini, Piraeus… A partir desses lugares é mais fácil achar transporte para os outros lugares. Sendo assim, se a sua intenção é fazer um conjunto de ilhas fora do caminho mais comum, fique esperto pois poderá ter que esperar um par de dias pra conseguir seguir viagem.

 

A barca para Naxos

 

 

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